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Edição 483

Navegar é preciso, ou melhor, viajar é preciso. Ihh, Vascota, nem me fala em viajar, não tenho dinheiro pra nada, quanto mais para viajar. Entendo, mas recomendo que o primeiro dinheiro que você juntar seja gasto em uma viagem, nem que seja a outro bairro da mesma cidade. Um local nunca antes desbravado, um subúrbio, ou o caminho contrário, um bairro chiquérrimo no qual você nunca havia pensado em botar os pés. No início do ano, fui ao Paraguai. Nossa, que falta de glamour, Vasco! Aí é que você se engana. A ideia que temos do país é totalmente equivocada. Assunção, a capital, é agradável e pasme...não há nada falsificado por lá. O povo é super hospitaleiro, os preços são bons para nós, brasileiros, principalmente em se tratando de cosméticos. Olha, Vasco, com tanta notícia ruim que a gente lê sobre os aeroportos brasileiros e os problemas das companhias aéreas ainda não me animei a viajar. Tem toda razão, contudo insisto: vale a pena tentar. Informe-se sobre os programas de milhagem das companhias áreas. Hoje em dia, há várias formas de transformar seus gastos em milhas. Embora a passagem não saia totalmente de graça. Se você conseguir juntar milhas suficientes, tem que pagar a taxa de embarque. Em uma viagem Rio-Brasília, ida e volta, a taxa sai por cerca de R$ 45,00. Já em uma viagem internacional, Rio-Assunção, pode chegar a R$ 250,00. Quanto aos aeroportos, de fato, há problemas, sim, portanto, vá com o espírito preparado para passar calor, fome, sede durante a viagem. Caso não passe por nada disso, você estará no lucro. Viajei no dia 1º de janeiro, data em que todos os problemas do mundo poderiam acontecer: o motorista contratado não aparecer às 6h da manhã, o aeroporto estar insuportável, lotado de turistas deixando o Rio após o famoso réveillon de Copacabana, as filas para o embarque estarem intermináveis, porém...o que tem que dar certo, dará; assim como o que tem que dar errado em nossas vidas, dará, independente de estarmos fazendo uma viagem. Por sorte, tudo correu maravilhosamente bem. O único detalhe foi a correria. Como mencionei, há que se estar preparado para passar uma certa necessidade em viagem, digamos assim. Como nossos aeroportos são mal sinalizados, até você se deslocar de um ponto a outro, encontrar o local correto do embarque, o banheiro, etc, muitas vezes não sobra tempo para comer. Lembrando que se você deixar para comer dentro do avião também passará fome. Muitas companhias aéreas não oferecem mais lanches nem refeições a bordo. Exemplo: na ida para Assunção, a Gol ofereceu um sanduichinho pequeno. Na volta, no trecho Assunção-São Paulo, pior ainda: um pacote pequeno de torradinhas. Tá, Vascota, chega de falar de comida, disseste que não tem nada falsificado no Paraguai, então o que vale a comprar? O povo vai para os States e chega abarrotado de coisa. No exterior, as coisas são realmente mais baratas, ou o povo é que fica deslumbrado? E comprar no Free Shop (lojas localizadas nas áreas de embarque e desembarque do aeroporto com isenção ou redução de impostos), vale a pena? 

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Dicas de compras - Tudo vale a pena se alma não é pequena, diz o poeta. Não critico quem gosta de comprar. Acho que a compra pode ter até uma função social. Chegou em casa, não gostou, viu que não vai usar, doe, ou venda. Certamente, você fará outras pessoas felizes e esta energia voltará para você. Portanto, para as aficcionadas por compras, compre, sim, já na ida. Hoje em dia, você não encontra tudo o que quer em apenas um local. Viu aquele cosmético que há tempos procurava? Compre-o logo no embarque, pois, na cidade de destino, ou na volta, você pode não encontrá-lo. Lembrando também que na volta existe  o limite de US$ 500.00 para gastar no Free Shop. Na ida, não há valor estabelecido. Exemplo: o pó compacto da Shiseido com filtro solar virou raridade. Não o encontrei no aeroporto do Rio, no de São Paulo nem em Assunção.

 

 

coluna-483-03Dicas de compras 2 - A grata surpresa de Assunção vem agora. Tchan, tchan, tchan, tchan. Tanto no aeroporto da capital paraguaia quanto em várias lojas da cidade, estrangeiro tem desconto de 25 por cento em perfumes e cosméticos. Basta apresentar identidade ou passaporte. Como assim, Vasco? O desconto é em cima de qual valor? Fica mais barato do que no Free Shop? Exatamente. Na página do Free Shop na Internet, você pode ver os preços dos cosméticos que deseja comprar. Pegue este valor e coloque os 25 por cento de desconto. Sendo que as melhores lojas de cosméticos de Assunção são, na verdade, as farmácias. Ih, Vasco, só deve ter cosmético fora de linha, perfume antigo. Não, meu bem, tem até Chanel na farmácia. A Vicente Scavone é passeio obrigatório, fui à filial da Calle Palma, a rua de comércio de Assunção. Excelente atendimento aliado aos 25 por cento de desconto nos cosméticos. Inesquecível!

 

Dicas de compras 3 - Tá, Vasco, enquanto eu fico na tal farmácia, o que vou fazer com meu marido? Diga para ele circular pela Galeria Central, também nas imediações da rua Palma, onde se concentram as lojas de eletrônicos. Mas, saiba que ele deixará o local decepcionado. Ao contrário do que imaginamos, os eletrônicos em Assunção não são falsificados, tampouco baratos. Laptop, câmeras fotográficas, tablet, tudo custa quase o mesmo preço do Brasil.

 

Dicas de compras 4 - Outro point para levar o marido é o Outlet da Adidas, também no centro, na região da Calle Palma. A loja é meio bagunçada, mas achei que os tênis valiam a pena.

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Dicas de compras 5 - A moeda do Paraguai é o guarani. Trata-se de um "dinheiro grande". Tudo custa 110 mil guaranis, 300 mil guaranis e por aí vai. No entanto, na maioria dos estabelecimentos comerciais, três moedas são aceitas tranquilamente: o real, o dólar e o guarani. Você pergunta o preço e os comerciantes fazem a conversão na hora informando o valor nas 3 moedas. Como o guarani é difícil de encontrar nas casas de câmbio brasileiras, não se preocupe. Viaje com dólares ou reais e troque por guaranis lá mesmo em Assunção. A propósito, casas de câmbio não faltam; no centro, região da Calle Palma, há várias e nos shopping centers também. Nas ruas, homens nos abordam querendo trocar dinheiro. Não aceite. Prefira as casas de câmbio. Em relação à sua moeda, achei curioso o fato de o paraguaio ser "tímido". Nos poucos estabelecimentos que não aceitam moedas estrangeiras, o funcionário pergunta de forma envergonhada: Tienes guaranis? Não sei se a vergonha é da moeda, por estar desvalorizada, ou do fato de estar lidando com estrangeiros.

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Dicas de compras 6 - Assunção tem dois grandes shopping centers: o Del Sol e o Mariscal López. Gostei mais do primeiro, que possui lojas de marcas internacionais como, por exemplo, Carolina Herrera, e na praça de alimentação um restaurante especializado em bife à milanesa, prato que está virando raridade no Rio. Diga-me onde se encontra uma boa milanesa no Rio, grande, bem tostada e barata. Desconheço.

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Dicas de alimentação - Não fiz grandes incursões pela culinária paraguaia, embora tenha sido bem recomendada por brasileiros que vivem na capital paraguaia. A propósito, foram estas brasileiras, que lá estavam no dia 1º de janeiro, chegando para estudar em uma universidade local, que me salvaram no aeroporto. Bem menor do que os nossos Galeão e Garulhos, não se veem táxis no desembarque em Assunção. Rapidamente, chegam homens oferecendo transporte particular, os chamados "remises", preço pré-combinado até o hotel. Ao escutar o preço, minhas "colegas de voo" disseram que estava razoável até o hotel. Lá fui eu embarcar no "remís". Voltando a falar de alimentação, como fiquei poucos dias e estava calor (não o calor do Rio, mas bem quente também), decidi não me aventurar muito pela culinária. Mas, não pude deixar de provar a chipa paraguaia (na foto abaixo em forma de rosca), que lembra nosso pão de queijo. Redes internacionais como Pizza Hut, Burger King e T.G.I. Friday´s têm filiais em Assunção, portanto, não se preocupe com a comida. Ah! E os preços são bem mais baixos que no Brasil. Um jantar para dois no Pizza Hut saiu por R$ 45,00. No Rio, pode passar tranquilamente de R$ 100,00.

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Dicas de transporte - O transporte público é praticamente inexistente em Assunção. Não há metrô e os ônibus são muiiiito velhos e mal conservados. Confesso não ter me aventurado, preferi andar a pé ou de táxi. Estes últimos também não são nenhuma maravilha, reclamam quando pedimos para ligar o ar condicionado, dão voltas, querem cobrar sem taxímetro, com preço fixo, enfim, quando se encontra um taxista mais "profissional", há que se lavantar as mãos para o céu.

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Dicas de hospedagem - Como quase tudo é antigo em Assunção, os hotéis não poderiam ser diferentes. Há hotéis bem antigos na capital paraguaia situados no centro da cidade. Para o turista, achei melhor a região do centro, uma vez que de lá tem-se acesso a tudo, do que a região mais chique da Avenida Aviadores Del Chaco, mais próxima ao aeroporto, onde ficam as cadeias internacionais Ibis e Sheraton. No entorno, há pouco ou quase nada para fazer, a não ser ir ao shopping Del Sol, que fica em frente ao Ibis. Por este motivo, optei pelo Hotel Excelsior, bem no centro. Na frente, funciona um pequeno shopping center, o Mall Excelsior, muito prático para nós turistas, pois tem supermercado no subsolo. Água, biscoito e outras pequenas comprinhas estão garantidas. O povo paraguaio parece ser muito religioso. Tanto no hotel quanto no shopping funcionam capelas, onde missas são realizadas aos domingos. Você escolhe entre ir à missa no hotel ou no shopping. 

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Dicas de linguagem - O paraguaio é formal, é senhor e senhora o tempo todo. Quando gostam de você, podem te chamar de "mamita", equivalente ao nosso querida ou amiga. Se você estuda ou é formado em espanhol, não considero um bom lugar para praticar a língua. O espanhol deles é difícil de entender. O "erre" lembra o sotaque do interior paulista. Usam a forma de tratamento "vos", como na Argentina, que seria o nosso "tu".

 

Dicas de lazer - Não espere muito da capital paraguaia. Em três dias, dá para ver tudo. Quem não é afeito a compras, não encontrará muito o que fazer, a não ser percorrer as ruas antigas do centro, com cara de cidade de interior. Entre as atrações, a Catedral Nuestra Señora de la Asunción, o Palacio del Gobierno, o Panteón de los Héroes, o Lido Bar (sempre lotado), a Costanera e o Paseo Carmelitas, espécie de shopping gastronômico, onde funciona a "noite de Assunção", por estarem reunidos no local bares e boates.

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Roteiro, produção e edição: Flávia Vasconcellos

Imagens: Marcelo O'Reilly

 

 

 

 

 

 

 

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Sobre Flávia

flávia-new siteFlávia Vasconcellos já viu reis e rainhas, é jornalista, editora-chefe e colunista do site Falando de Moda.
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